segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Uma perda humana

Nunca fui super fã dele, li apenas um livro, não considerava as suas as crônicas mais inteligentes/instigantes. O fato de ele estar na ABL é pra lá de duvidoso. Não por ele, mas por ela (Sarney, what the fuck?).

Mas eu senti a perda. Ao escutar a notícia no Fantástico desse domingo, senti.

Senti a perda de um ser humano que vi apenas uma vez, mas que ganhou minha simpatia. Simples, tranqüilo, de bem com a vida. Foi isso que ele me transmitiu na palestra que assisti, e imagino que aos meus colegas também.

Não lamento pela perda literária (até porque pouco conheço), mas lamento pela perda humana.

Fique em paz, Scliar.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Uma história de amor

Começa
não se sabe como
Por onde?
Quando?
Por quê?

chega de mansinho
invade, remolda, dilata
limpa o ninho
e se instala

Erva daninha
que de danosa
não tem nada

Termina (termina?)
com um fim, sem fim
e cria asas

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O Preto e a adoção [3]

O nome dele é Banzé. Não gosto muito do nome por seu significado (bagunça, confusão, briga), mas combina muito com o menino.

Ele nasceu dia 1/1/2011, e o recebi quando completou 45 dias. Engraçado pensar que eu havia colocado na minha cabeça a vontade de entrar o ano com meu cachorrinho já comigo, e o Banzé nascer logo no dia primeiro. Enfim.

A mãezinha dele era uma Cocker preta pura, com pai desconhecido. Já ele e seus irmãos não saíram todos pretos, apenas uma das irmãzinhas. Sua pelagem é a tradicional de um Cocker (o que descobri pesquisando sobre a raça): cabeça preta com focinho mesclado de branco e preto, com o corpo branco com manchas pretas, e as patinhas brancas cheias de pintinhas pretas, estilo Dálmata.

Já tomou sua primeira vacina, e nem chorou!
Ainda tem uma caspinha, que o veterinário disse ser um fungo, e que será tratada só depois de ele completar dois meses. Precisa tomar o vermífugo também. Tirando esses detalhes, está muito bem, obrigado.

Já possui seu canto na casa, e até uma bolinha (obviamente já destruída). Aos poucos está começando a entender que necessidades são feitas apenas em cima do jornal, e não foi preciso bater nele para isso. Aliás, não é preciso fazer isso, ao contrário do que algumas pessoas pensam sobre educação de animais. Come ração sólida já e adora morder todo mundo.

A primeira vez que meu sobrinho o viu, quis levar para casa já, e até minha mãe está gostando e brincando com ele.

Em compensação, eu estou tendo um trabalho danado, limpando a casa inteira. De noite ele dorme no meu quarto, e adivinha se ele não se comporta como um recém nascido, me acordando no meio da madrugada?

Faz parte, e com certeza depois vai ficar muito melhor.

Minha sugestão é: adote um animal! É uma atitude linda e quem mais sai ganhando com isso é você. Não se restrinja a filhotes se puder, pois existem muitos adultos lindíssimos por aí, esperando por um lar que os acolha e que com certeza eles valorizarão muito (a exemplo da cadela que minha irmã adotou).

O Preto e a adoção [2]

A idéia apenas havia se implantado em minha cabeça: ter de novo um cachorrinho em casa.
Bem ao estilo "A Origem", ela foi se solidificando lá no fundo.

O nível dois dessa solidificação foi um anúncio que vi, de uma campanha publicitária sobre adoção de cães, em algum país da Europa. Ela mostrava as pessoas andando com sacos plásticos pretos presos às coleiras, mostrando que a cada vez que tu compra um animalzinho, é pelo menos um que tu poderia adotar e que tu acaba matando.

Isso me fez querer adotar um cachorrinho, e não comprar. Adotar é uma experiência muito mais humana do que ir lá e comprar um ser vivo.

Com isso, comecei a buscar como funcionava a adoção de animais, onde era possível achar, etc. Foi assustador encontrar diversos sites, só da "minha" cidade, com vários animais para adoção. A lista não acabava nunca! e era renovada todos os dias.

Durante os dois meses em que acompanhei o site Duas Mãos Quatro Patas, o número de animais para doação nunca ficou abaixo de 1500 (incluindo aí gatos, cachorros, uma tartaruga, um galo e um coelho). E de vez em quando apareciam uns tão lindos!

O primeiro que tentei adotar era um Golden Retriever puro (!), muito bem cuidado e que parecia muito feliz e dócil. Ele tinha 3 anos, e estava para doação pois seus donos o estavam deixando sem proteção, etc. Entrei em contato com o e-mail que havia no site, e recebi a triste notícia de que ele havia fugido.

Quase no final do ano, apareceu um filhote lindíssimo que era mistura de Boiadeiro Bernês. Pesquisei bastante sobre a raça antes de entrar em contato. Seria uma loucura tê-lo em casa, mas tinha me apaixonado por ele! e sempre quis ter um cachorro de porte grande. Mandei o e-mail. Estou esperando a resposta até agora.

Minha última tentativa frutstrada foi uma filhote de Beagle, toda manchada de caramelo. Porém, já estava reservada. Nara, a mulher que estava cuidando para que ela fosse adotada, sugeriu que eu desse uma olhada no site Bicho de Rua. Fui lá e encontrei, finalmente encontrei meu filhote!

...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dos mistérios da humanidade

Por que as pessoas bebem, se em um certo estágio do sono a sensação é a mesma, e no outro dia não existe ressaca?

Por que quem sabe fazer massagem geralmente não encontra alguém que saiba fazer também?

Por que quem volta da praia, muitas vezes volta mais cansado do que foi?


P.S.: quando me recuperar da praia, volto a postar aqui decentemente. hehe

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Contra o conto

"- Amor, vem!
- Já estou indo, linda.

- Todos prontos? Digam Xiiis!
todos em coro: Xiiis"

Sempre que olhava para aquela fotografia, não podia deixar de lembrar da felicidade do dia. Dos sorrisos e do brilho no olhar. Parecia que ela tinha voltado a ser criança.

Fazia tanto tempo.

Hoje seria o aniversário de 10 anos do serzinho que ela carregava em seu ventre, que ele se quer pode saber o que seria. Ele foi partido pela metade desde o dia em que aquele psicopata entrou na casa deles.

- As barbaridades que eles sofreram, meu deus!
- Caramba...e ele nunca tentou descobrir quem era o cara? Nunca quis sair correndo procurando e matar ele?
- Até quis, mas...
- Pessoal, pessoal! Foto de fim de ano, vamos lá!
- Todos posicionados? Digam Xiiis!
todos em coro: Xiiis

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Preto e a adoção [1]

Uma vez eu tive um cachorro. Uma não, duas, mas na vez primeira eu era tão pequenina que nunca fui muito ligada a ele. Porém, do segundo, que saudades!

Seu nome era Preto. Uma mistura de Poodle com Lhasa Apso, obviamente na cor preta (a criatividade da família beirou ao zero na hora). O pai apareceu com ele de surpresa em casa, num belo dia de sol. Aquela coisinha pequena que mal sabia caminhar. Qualquer bebê, humano ou não, causa esse efeito: encanto instantâneo. Cresceu, ganhando espaço na família e no coração de cada um, apesar de certas implicâncias.

O Preto, ou Tigrão - como só o pai costumava chamar-, não conhecia maldade, era uma eterna criança. Péssimo cão de guarda, diga-se de passagem. Para TODOS que chegassem na nossa casa, não importando se era conhecido ou não, a recepção dele era sempre uma alegria só. Chegava ao ponto de uma inocência extremada: amigos fingiam que iam chutá-lo, como certos imbecis fazem com os animais, e o que ele fazia? Virava de barriga pra cima para receber carinho. Pode?
Apesar de ser pequeno, dava um belo trabalho. Na primeira oportunidade que tinha, saía correndo de casa, curioso que só. E lá íamos nós atrás dele.
Ansiava pela liberdade. Nunca conseguimos "domesticá-lo" para fazer as necessidades só em determinado lugar, ou só na rua. E o pior: ainda ficava latindo querendo brincar quando descobríamos que lugar havia sido feito de banheiro. Nunca foi adepto de regras.

Um belo dia, fugiu de vez. Nunca mais tivemos notícias do Preto.

Ah, como ele fazia falta no começo. O espaço na cama que não era mais ocupado, as sombras que não eram mais ele passando, o som que não era mais dele subindo feliz a escada. Os espaços vazios que deixou. Até hoje, às vezes sonho com ele, às vezes sinto-o por perto e quando procuro, não encontro nada. Bate uma tristeza.

Por sentir tanta falta, resolvi que queria ter de novo um membro não-humano em casa. Não dá para dizer que seria um animal de estimação, ou um mascote, porque não é esse o caso. Um membro efetivo, isso sim. Capaz de ensinar e aprender conosco, com sentimentos e personalidade, tal qual um ser humano. Ou melhor, às vezes muito mais humanos do que muitos "seres humanos" que existem por aí...

to be continued...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Metas

Com o "novo" ano, que no fim das contas é sempre uma simples continuação, todos fazem suas metas. "Esse ano eu vou emagrecer", "eu vou achar um emprego melhor", "eu vou passar na faculdade". E apesar de ser a maior auto-enganação mundial, é a mais útil também.

Porém, só o é quando a pessoa realmente acredita que pode e deve mudar, apesar de tudo e todos. Apesar, inclusive, de ter colocado essa meta dentro da listinha das do ano novo, o que é um baaaita de um boicote.

Para moá, coloquei só uma meta (o que desencadeia em diversas outras, mas não vem ao caso agora): energia. Energia pra deixar a preguiça de lado e não desistir daquilo que quero por ser difícil, ou por ser trabalhoso, etc, etc. Energia pra não parar no primeiro obstáculo. Energia pra viver e pra sentir a vida. Energia.

Acho que foi minha meta mais ambiciosa até hoje.

E esse post, aleatório que foi, faz parte dela.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Tamanho

Uma das coisas mais estranhas sobre ser um humano é o nosso tamanho. É, a altura, a largura e o volume, ou o que quer que seja. Para os outros é sempre a mesma coisa (exceto quando crescemos ou decrescemos), mas aqui dentro é tão...maleável.

Quando algo nos envergonha ou constrange, ou até mesmo quando fazemos algo errado e percebemos o erro, parece que o mundo se agigantou e nós ficamos pequenininhos, indefesos.
Se chegamos à altura de nosso dedo mindinho, já é muito.
Porém, quando algo nos deixa muito feliz, e principalmente quando estamos apaixonados, parece que a vibração das nossas células é tamanha que nosso corpo vai explodir e virar uma estrela radiante, de tanta energia que a felicidade traz.
O que dizer então de quando a coragem resolve ser nossa companheira na luta, e nos tornamos gigantes? Não é o mesmo que tornar-se estrela, veja bem. A felicidade, quando em icebergs, faz termos a sensação de que está acontecendo uma corrida alucinada dentro da gente. Todo nosso corpo quer ver quem será o primeiro a se transformar em energia pura. Já quando a coragem nos acompanha, temos a sensação de dobrar, triplicar, quadruplicar de tamanho. Nada, absolutamente nada, pode nos impedir de chegar onde queremos. Nos tornamos deuses.

Pensando bem, ainda bem que o nosso tamanho não varia. Se não fosse assim, seríamos todos gelatinas ambulantes.

Don´t you feel the same?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Tron

De um roteiro-base com potencial a um filme superficial, Tron deixou a desejar. E olha que olhei nos dois Ds. Não fez a mínima diferença.

Ao olhar a primeira vez, a falta de explicação decepciona. Como o laser tele-transporta as pessoas? Em que elas são transformadas? Como funciona o DNA dos ISOs? Por que o nome ISOs? Um filme bom pra valer sempre deixa uma pulga atrás da orelha de quem o olha, porém deixar tantas dúvidas teve o efeito contrário: mostrar que nem mesmo os diretores sabiam do que estavam falando.

Ao olhar a segunda vez, com a esperança de que os efeitos 3D o tornariam melhor, eu dormi. DORMI. Durante uns 10 min. próximo do final. Grande parte do longa passa em 2D, mesmo estando o cinema inteiro com aqueles óculos incômodos. 3D utilizado com a intenção pura e simples de faturar um pouco mais com quem arrisca a ver o filme nessa tecnologia.

Para não dizer que é completamente imprestável, as motos e alguns dos efeitos de luz são fascinantes, e a trilha sonora foi muito bem escolhida, apesar de às vezes parecer que não pertence ao filme.

Se alguém me perguntasse, diria para não ir até o cinema vê-lo, ou no mínimo que fosse na sessão 2D mais barata da semana.

Apesar disso, li sobre o filme original e esse sim parece que valeria a pena ser assistido. Quem sabe esse ano ainda. hehe

sábado, 1 de janeiro de 2011

Um

No táxi, a cabeça encostada no vidro. Uma exaustão boa.
Ela pensa no cara da festa. Quem será que era? O oi tinha sido mesmo pra ela?
Pensando bem, deve ter sido só um momento de cansaço, de alucinação.

Entram na avenida.

Olhos semi-cerrados, vê ao longe o sol subindo a linha do horizonte.
São 7h da manhã.

-Bom dia, 2011.